03 de junho 2010 – Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

“ À  direita de Deus sentado em glória,
Passeia pela terra feito pão;
Vai esmagando as rosas em tapetes,
Revestido de incensos e de hosanas

Colchas rubras se estendem nas janelas
São púrpura do Rei que pelo sangue
Venceu na cruz e marca novamente,
Como no Egito, as casas do seu povo

Maná por tantas bocas recebido
Com doçuras de mel, sabor de trigo,
Construindo na terra o corpo místico.

Ó sangue a circular por tantas veias,
Corpos comunicantes que se tornam
Um mesmo coração e uma só alma!”
Dom Marcos Barbosa,OSB


10º DOMINGO DO TEMPO COMUM  (06/06/2010)
Lc 7,11-17 (O filho da viúva de Naim)

‘Um grande profeta surgiu entre nós!” A ressurreição do filho da viúva de Naim não é a cura milagrosa de uma doença. É uma vitória do amor, um triunfo da vida sobre a morte, da justiça sobre a injustiça, da inocência sobre o pecado.
A ressurreição do filho da viúva é ensinamento de que o Cristo assumiu, um dia, o meu sofrimento, todos os sofrimentos da humanidade presentes e futuros, de tal modo que um dia não haverá mais lágrimas nem luto.
Assim, a maneira como eu carrego o meu sofrimento poderá ser o sinal de que a vitória pascal do Cristo está sempre em vias de realizar-se.
A ressurreição do filho da viúva e, principalmente a Ressurreição do Cristo é o sinal de que o sofrimento e a morte eram abominações de que era preciso livrar o mundo. Ela é um convite a todos para lutarem contra toda forma de sofrimento. É o amor e não o sofrimento, que salva os homens e o mundo. É a fé que salva. Fé do cristão que sabe que sabe que só o amor é capaz de transformar o mundo, torná-lo mais justo, mais humano, e de todos se esforçam por colocar um pouco de amor no que fazem e no que vivem.
É a fé que nos salva em todos os níveis: fé no homem, fé no progresso, fé no futuro, mas, sobretudo, fé no amor esse amor que sabemos que se manifestou, um dia em Jesus Cristo, e que não acabará jamais.


11º DOMINGO DO TEMPO COMUM (13/06/2010)

Lc 7,36-8,3 (Pecadora no festim)  

Quem deseja ser amado, deve mostrar que ama. Jesus Cristo não quebrou o caniço rachado, não extinguiu a mecha que fumegava. Ele é nosso modelo para suportas as fadigas e as negligências, as ingratidões, as contrariedades, as faltas...
É no mundo e para o mundo que Cristo viveu, morreu e ressuscitou. Do mesmo modo é no mundo e para o mundo que a Igreja dá testemunho das ações salvíficas de Deus.
É necessário, primeiro que tudo, dizer que a ação salvadora de Deus em Cristo se opera sobre a cruz e pela cruz. Ela não deixa nenhum lugar para o triunfalismo, nem para as tendências teocráticas das quais tão freqüentemente judeus e cristãos foram vítimas. A Igreja deve sempre lembrar-se que a vitória de Cristo no mundo e sobre o mundo está ainda escondida e que o testemunho que ela deve dar da obra reconciliadora de Cristo deve consistir em participar de seus sofrimentos e em combater as forças do mal neste tempo que passa. Ela deve testemunhar os atos salvadores de Deus não apenas pela palavra e pelo sacramento, não só pelo anúncio verbal do perdão dos pecados, mas ainda através dos exemplos de Cristo.
O Evangelho, portanto, se estende a todos os campos da existência e a todos os aspectos da vida humana. A vitória trazida por Cristo, encoraja o seu seguidor a viver de suas promessas entregando-se às obras do amor. O episódio da mulher pecadora exige de nós atenção diante do pensamento dualista e modelos de religiosidade. O Evangelho não pode ser reduzido ao puro domínio espiritual privado ou íntimo e ser sem conseqüências para a vida corporal ou pública.


12º DOMINGO TC.  Lc 9, 18-24 - (20/06/2010)

É insuficiente declarar que Jesus é o Messias. É preciso mais. É necessário que a partir desta declaração: Jesus é o Messias, efetivamente se trabalhe na construção de um novo mundo de justiça e paz. Afinal, se Deus decidiu assumir a forma humana em Jesus Cristo, para trazer ao humano uma mensagem, essa mensagem deve ser observada com olhar diferente daquele com que costumamos observar todos os demais recados humanos.
Não se pode pechinchar com o Evangelho. O homem precisa do Evangelho tanto quanto precisa de Deus. E se pretende resolver seus problemas pondo Deus de lado, agindo como se Ele não existisse, essas postura só pode dar num resultado: a inevitabilidade do fracasso.
Pode soar estranho esta reflexão para a passagem em questão. Mas, pretender – a partir do anúncio de que Jesus é o Messias – colocar o Evangelho a serviço de sistemas políticos ou econômicos é o mesmo que comprometê-lo. Não tardará que o sistema político o manipule e que o sistema econômico o sufoque, ambos buscando maneira de impedir que o mesmo Evangelho não atrapalhe seus interesses.
Os sistemas passam. O Evangelho fica. Porque ele é dirigido à pessoa humana, com seus sonhos e suas fragilidades. Pois enquanto assistimos às alternâncias e superações dos sistemas, o ser humano permanece o mesmo, enfrentando os problemas perenes com que se defronta: a guerra e a paz, a injustiça e a justiça, o egoísmo e o amor. Que os sistemas são incapazes de resolver. E para os quais, exatamente, Jesus veio trazer o remédio.
“E vocês, quem dizem que eu sou?” Lc 9, 20


NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA (24/06/2010) - Lc 1, 57-66.80

Não é apenas através das palavras de João, mas através de sua vida inteira que Deus se manifesta. João Batista dá testemunho da luz, porque aquilo que nele se cumpriu não vem dele, mas de além dele.
O poder de Deus se manifesta em João desde o seu nascimento. Ele é concebido, pelo poder de Deus, de uma mulher estéril. É santificado desde o seio de sua mãe, pelo poder do Verbo presente em Maria. Só o poder parece agir nessa criança. E Zacarias exprime seu espanto diante do que Deus operou nesse filho de sua carne, dando a Deus toda a glória.
Terminou para Isabel o tempo da gravidez e ela deu a luz um filho... O evangelista Lucas faz questão de salientar que se “completou o tempo da gestação”, o tempo da espera, símbolo da espera de um povo cansado de sofrer, de andar por caminhos tortuosos, guiados por falsos líderes.
João Batista é a resposta de Deus aos anseios do povo, após um silêncio de três séculos sem profetas que consolassem o povo desiludido, desmotivado, sem esperança. “Deus se recordou”, este é o significado do nome Zacarias, pai de João. Deus se recordou dos que guardaram em seu coração as promessas dos profetas e souberam transmiti-las de geração em geração sem deixar morrer a esperança. João, cujo significado é “Aquele que anuncia”, ao ser apresentado no Templo, na voz recuperada de Zacarias, irrompe a glorificação de Deus que visita o seu povo, irrompe com um lençol de água cristalina que fura a rocha e flui à flor da terra, para saciar os sedentos de esperança e de vida nova.
Natividade de João Batista, é o marco divisor entre o tempo das promessas (Antiga Aliança) e o tempo do cumprimento das promessas (Nova Aliança).


13º Domingo TComum   Lc 9, 51-62      (27/06/2010)
O caminho da libertação
                                                         

O texto do evangelho de hoje nos mostra a pedagogia de Jesus, o seu caminho. É o caminho de “Jerusalém”, caminho conflitante para aquele que não quiser mudar a história de sua vida.
Antes de começar a caminhar por ele, olhe para dentro de você mesmo. Não procure fora o que só pode nascer dentro de você. Nunca vai encontrar.
Quando vice sai de casa para comprar pão, isto significa que não há pão em casa. O pão você pode encontrá-lo na padaria. E a salvação, você conhece alguém que a tenha para vender?
A salvação, o encontro com Jesus, nasce de dentro. É resultado da graça de Deus e de um estado interior que traz alegria, muita alegria. Alegria que transborda e contagia os outros. Mas nasce de dentro.

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