QUINTA-FEIRA DA CEIA DO SENHOR  Jo 13,1-15           (1º/04/2010)
                                                                 

“Eu estou no meio de vós como aquele que serve. Dei-vos um exemplo, a fim de que façais como eu vos fiz”. Este exemplo reflete a condição permanente de Jesus. O verdadeiro amor não teme rebaixar-se a gestos humildes, sujar as mãos, lavar os pés, sair do próprio bem-estar, da própria suficiência, comprometer-se, e, sobretudo não teme servir.
O perdão de Deus e sua salvação são a medida do nosso amor: “Os numerosos pecados da pecadora lhe tinha sido perdoados porque ela tinha amado muito” Lc 7,47. O nosso amor é também a medida de nossa humildade.
Ser humilde, para a Igreja, é sair da rotina e da enganosa segurança; ser humilde é cessar de se agarrar às vantagens materiais, sociais ou políticas; ser humilde é ser livre em relação aos sinais exteriores de riqueza, que são cada vez mais uma ocasião de escândalo para o mundo, por quem o Cristo morreu.
O lava pés continua de geração em geração, numa cadeia de amor que não deve romper-se. Esse gesto revela a humanidade, a verdade, a ternura do nosso coração e também a diaconia das Igrejas.
“Amar até o fim” é revelar ao mundo a face do Cristo, sua face sempre amorosa, redescobrindo o sentido e a prática do lava-pés à mesa do mundo. Nessa mesa, o cristão não é nem senhor, nem o primeiro atendido.


SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR       (02/04/2010)
Dia de jejum e abstinência

 

Com Maria e João, que representavam a Igreja de todos os tempos e lugares, estamos juntos do Senhor Crucificado. Peçamos a ele que nesta hora, a sua cruz bendita se levante em nossas almas para que possamos compreender melhor e gravar no coração tudo o que Jesus fez e sofreu, e por que e por quem sofreu. Que o Senhor desperte em nós, o arrependimento, a compaixão, o desejo da Vida, o Amor.
O tema da cruz parece um tanto desgastado de tanto que os cristãos dele abusaram. Vivemos gemendo sob nossas pequenas cruzes, as mil dificuldades comuns da vida, que tantos não cristãos enfrentam corajosamente.
A vida com o crucificado, no crucificado, é o dom de si à vontade dele, é o companheirismo que se torna cada dia mais íntimo no campo do esforço e da dor, a cooperação constante com quem tudo começou em si mesmo e quer associar-nos plenamente à sua obra.  Enquanto a cruz não tiver penetrado em nós, como alicerce que tudo sustenta, não teremos compreendido o Cristo. Daí as impaciências, as asperezas, as cóleras e as queixas. Cristãos que somos inscritos nos registros paroquiais, não somos ainda cristãos plenamente inseridos no Cristo, porque, desejando a sua luz e a sua paz, nos repugna seguí-lo no sofrimento que suportou por nós.
A cruz é realmente a nossa salvação. Por ela Deus suscita em Jesus não só um novo Adão – princípio da nova humanidade restaurada na amizade com Deus – mas o início da nova criação que brota da cruz e da morte e expande-se neste mundo com a força invencível do Amor.


SÁBADO SANTO      (03/04/2010)
Com a celebração da vigília começa o Tempo Pascal

Que a Páscoa nos transfigure com o Cristo, que saiamos com Ele do sepulcro para uma vida nova, aliás, que a nossa vida seja toda ela uma Páscoa repetida a cada dia, até a Páscoa final, do dia em que entrarmos com Ele na Vida “ não morro, entro na vida” –Santa Teresinha -.


DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR   Jo 20, 1-9 - (04/04/2010)

Para uma Igreja pascal, a Igreja da América Latina vai descobrindo sua fisionomia própria. Não que antes não a tenha tido nem expressado. Sempre a Igreja experimentou e ofereceu o carisma original com que o Espírito a revestiu. Mas é certo que hoje tomamos particular consciência de nossa vocação específica e de nossa riqueza própria.
A Igreja nasce da Páscoa de Jesus, e do mesmo modo que a exprime e celebra em seu mistério, também a antecipa em sua semente do reino. Essencialmente, a Igreja é a aliança que brota da páscoa da cruz. Pode-se, acaso, conceber uma Igreja que não seja o sacramento do Senhor ressuscitado? Pode-se entender uma Igreja – pode-se construir e viver uma Igreja – que não proclame, centralmente, a morte e ressurreição de Jesus, anunciando a sua vinda?
A Igreja da Páscoa é antes de tudo uma Igreja da humildade e da crucifixão, da pobreza, da perseguição e da morte. É a Igreja da esperança e da alegria. Mas na profundidade dada pela cruz e pelo silêncio.
A Igreja pascal é a que nasce do sepultamento silencioso e da morte oculta do grão de trigo. Saboreia a dificuldade da perseguição, mas não a provoca sem motivos.
Toda a vida cristã – toda ação cristã – é reflexo que parte desse centro: a ressurreição de Cristo. Ea vida só é mesmo vida na medida em que cremos na ressurreição. Acreditar, pode-se acreditar em muitas coisas. Coisas que até podem ser bonitas e interessantes. Mas ninguém consegue viver apenas com crenças fascinantes e empolgantes. O fato é que, se não crermos, a ressurreição, nossa vida, será apenas uma existência aparente. A vida sem ressurreição é um nada...


2º DOMINGO DA PÁSCOA Jo 20, 19-31 ( Tomé) - (11/04/2010)
Domingo da Divina Misericórdia

A grande e alegre boa nova da mensagem pascal é o homem novo, o homem que a Ressurreição de Jesus liberta das cadeias da suficiência egoísta e da vã procura de sua realização numa recompensa material ou espiritual.
A Ressurreição conduz o homem novo, em plena liberdade, à consciência do pecado e da sua própria insuficiência, a fim de levá-lo pelo poder da Redenção à fé explícita de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”
Existe toda uma imensa parcela da humanidade que vive ainda na noite da Sexta-Feira Santa, à véspera da Ressurreição, portas fechadas pelo medo, face sombria, cheia de dúvida e contradições, sem suspeitar que o Cristo ressuscitou e é o nosso companheiro de viagem, pronto a revelar-se na fração do pão.
O mal, infelizmente, se encontra ainda presente na história e no tempo que a regula. Esta coexistência da Ressurreição e do mal é o mistério da coexistência da liberdade e do destino. É paradoxal. Mas diante de nós se levanta o Cristo vencedor.
Cristo ressuscitou! Deus vive. O homem, com ele, vive e não morrerá. O mundo continua sua marcha na história. E a história avança no tempo. Ela terá seu fim, um dia, mas o homem não acabará, porque não é o tempo que terá a última palavra, mas a Ressurreição de Jesus Cristo.
Mais do que nunca, necessitamos da Páscoa, da passagem da servidão à liberdade, da injustiça à salvação, da guerra à paz, das discriminações à unidade, da tristeza à alegria do céu.
Páscoa é libertação. Libertação/liberdade é uma realidade complexa. A vontade possibilita-nos fixar nossa escolha e caminhar na direção escolhida. A liberdade consiste em saber escolher e não abandonar a escolha feita ( o drama vivido por Tomé).
O simples escolher não faz livre a ninguém. É o saber escolher que constrói a liberdade.


3º DOMINGO DA PÁSCOA  Jo 21, 1-19  ( A pesca de Pedro) - (18/04/2010)

“Lançai a rede”, e houve cento e cinqüenta e três peixes. Nenhum de nós pode pretender puxar a rede por si mesmo, a exemplo dos apóstolos pescadores do trecho do evangelho de hoje, cada um de nós se sente muito fraco, muito miserável, quase incapaz de testemunhar. É quando então a Ressurreição de Jesus se revela; é uma realidade que nos anima, nos impulsiona, um fogo que consome os nossos sofrimentos para transformá-los em alegria e sobretudo em amor. “ Tu sabes tudo, sabes que eu te amos, Senhor”. É quando se descobre que não há mais fronteiras entre os homens, e que aqueles que pensávamos não amar estão agora diante de nós (os 153 peixes na rede) como outras tantas faces do Cristo.
Não raro tenho receio de que nós, cristãos, nos isolemos, formando uma ilhota de eleitos felizes. Dizemos um ao outro: Cristo ressuscitou! – quando à nossa volta existe um verdadeiro oceano de desespero, de vazio.
Sob pena de morrermos todos, devemos nos abrir, devemos partilhar a vida, nesta civilização terrível em que as pessoas não sabem mais se exteriorizar e, talvez por isso mesmo, não sabem transmitir nada. Afinal, estamos no meio de pessoas, onde não se pode falar “nem de política nem religião”... Então tentemos aí ser aquele que é chato e constitui problema, não tanto por palavras, mas pela maneira de ser, por essa alegria interior que habita em nós porque Cristo ressuscitou!


4º DOMINGO DA PÁSCOA - Jo 10, 27-30 (As ovelhas ouvem a voz do pastor)
*5º aniversário do início do ministério do Santo Padre, Papa Bento XVI – Oremus!

“Eu sou o bom pastor”. Isto é, o pastor verdadeiro, o pastor único, o pastor que sabe guiar como nenhum outro, o pastor que se sacrifica para defender o seu rebanho e salvá-lo. Esta imagem Jesus mesmo no-la indicou. E o rebanho,o que significa? Significa a humanidade, o mundo, significa as nossas pessoas, a nós mesmos. Os profetas anunciaram o Messias como Pastor de Israel.
Os fiéis que têm em Jesus Cristo o princípio da sua unidade formam um corpo social ao redor dele: esta é a Igreja.
Jesus, que antes tinha dado a Simão o nome de Pedro, no fim do Evangelho de João, na magnífica passagem às margens do lago de Tiberíades, dá ao mesmo Pedro a função de pastor ao lhe dizes três vezes: sê o pastor do meu rebanho. Ou seja, Jesus confia a Simão Pedro a sua própria missão. Nomeia-o seu sucessor, seu vigário, seu representante. Representante que, hoje, está no meio de nós na pessoa de Bento XVI.
Na grande cornija da Basílica de São Pedro em Roma, escritas em mosaico no friso de ouro, estão em grego e latim as frases com que Jesus conferiu a Pedro as suas funções: “Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas”.
É o que nos ensina o ministério pastoral do Santo Padre Bento XVI. É o que nos ensina a figura do Pastor e do rebanho atribuída à Igreja. Ensina-nos a unidade e a catolicidade. A Igreja é única e universal. A Igreja reunida em torno do seu Pastor.

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