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9º DOMINGO TC – 6 mar 2011
Dt 11,18.26-28; Sl30; Rm 3,21-25.28; Mt 7, 21-27
Construir sobre a rocha

Jesus compara o homem que ouve suas palavras com o homem que edificou uma casa sobre a rocha. Vem o vento, a chuva, as águas, mas a casa permanece firme. Essa rocha é Jesus. Para se conseguir a vida eterna é necessário por em prática tudo o que ele ensinou.
Jesus não quer ritualismo religioso sem caridade mas a prática sincera de sua doutrina. A santidade não consiste em dizer, mas em fazer. Não consiste em aparecer, mas em ser. Não há meio termo, não há mais ou menos para Deus.
Nós precisamos fincar raízes. Diferente das raízes das plantas, podemos fincar as nossas por escolha, no que queremos e no lugar que queremos. Os homens e mulheres que marcaram sua presença ao longo da História, fizeram-no porque fincaram raízes no que faziam.
E nós? Como vivemos nosso cristianismo? Onde estamos fincando nossas raízes?
QUARTA-FEIRA DE CINZAS 9 mar 2011
Mt 6, 1-6.16-18

A severa liturgia da Quarta-feira de Cinzas e, em seguida, todo o período da Quaresma é – como preparação para a Páscoa – um convite insistente à alegria do reencontro e do encontro; à alegria da conversão; à alegria da penitência. Ninguém tenha medo de entregar-se a este esforço.
Penitência, no sentido evangélico, significa conversão. Sob este aspecto é muito significativo o trecho do Evangelho da Quarta-Feira de Cinzas. Jesus fala dos atos de penitência, conhecidos e praticados pelos seus contemporâneos e critica o modo puramente exterior e formal do cumprimento destes atos: esmola, oração e jejum: “Quando deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti”...”Quando orares, não sejas como os hipócritas... para serem vistos pelos homens...” ”Quando jejuares, não mostres um ar sombrio, como os hipócritas...mas, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas de teu Pai, que está presente no oculto; e teu Pai que vê no oculto, recompensar-te-á”(Mt 6, 2-6).
Desta forma, o primeiro e principal significado da penitência é interior, espiritual. O principal esforço da penitência consiste em entrar em si mesmo, no mais fundo do próprio ser. O Senhor Jesus chama-nos a fazer ainda alguma coisa mais. Quando diz “entra no teu quarto e fecha a porta”, indica um esforço ascético de readquirir a simplicidade do pensamento, da vontade e do coração, que é indispensável para nos encontrarmos no próprio “eu” interior com Deus. Portanto, a corrente principal da Quaresma deve passar pelo homem interior, pelos corações e pelas consciências. .É nisto que consiste o esforço essencial da penitência.
A Campanha da Fraternidade 2011 através do tema “Fraternidade e a vida no planeta P” e do lema “A criação geme em dores de parto” convida ao cuidado com a natureza e a fraternidade não somente com a humanidade, mas com o planeta. Oxalá a proposta da CNBB desperte para a consciência ao tipo de sociedade que continuamos a desenvolver e que tenha conseqüências na forma de vivermos a fé e a cidadania.

13/03/2011 1º Domingo da Quaresma

1ª semana do saltério
Missa pr: Cr, Pf próprio deste domingo.
Primeira leitura: Gênesis 2, 7-9; 3, 1-7
Segunda leitura: Romanos 5,12-19
Evangelho: Mateus 4,1-11 ( Tentação de Jesus)
Reflexão:
Porque vence o orgulho que pôs a humanidade contra Deus, Jesus é o novo Adão. O deserto das tentações resume a experiência de Jesus durante todo o seu ministério. A narrativa de Mateus tem por objetivo mostrar o sentido dessas tentações.
Na segunda leitura, São Paulo faz uma comparação entre o primeiro homem, pecador, Adão, e o segundo homem, Salvador, Jesus Cristo; entre o pecado de um que gerou a morte e a graça do outro, que gerou a vida. O pecado é um ato pessoal com conseqüências comunitárias. É uma escolha que fazemos contra Deus e a favor do nosso egoísmo. Por isso não podemos culpar ninguém pelo fato de sermos pecadores. Nem a Adão, nem a Eva! São Paulo ensina que se o mal do “homem”(Adão) contaminou toda a espécie humana, a força do bem de outro homem, Jesus, purificará todos os homens. Por isso se ensina que por meio de Adão veio a morte; por meio de Jesus veio a graça e a libertação. A obediência de Jesus ao Pai, morrendo na cruz, fez dos homens filhos de Deus e herdeiros da vida.
Ninguém pode deixar-se dominar pelas coisas negativas da vida: dor, doença, pecado, morte... Se há um Adão dentro de nós, carregado de maldades, sofrimentos, pecado, há também outro Adão, o novo, Jesus Cristo, que é força, graça e libertação. Seja você, portanto, otimista, mais esperançoso nesta Quaresma, na certeza de que o dom de Deus, a graça, supera de longe o pecado dos homens. Lembre-se: só é escravo do pecado quem quer...

19/03/2011
São José, Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Padroeiro da Igreja.

Missa pr: Gl, Cr, Pf. pr.
Primeira leitura: 2 Samuel 7, 4-5a. 12-14a.16
Segunda leitura: Romanos 4, 13.16-18.22
Evangelho: Lucas 2,41-51a
Reflexão:
Ter fé é jogar-se inteira e confiadamente nos braços de Deus. Assim como fez Abraão. Acreditar, especialmente quando todas as coisas parecem impossíveis. Esta é a mensagem da carta aos Romanos que lemos nesta solenidade de São José. A fé é mais importante que a lei. Dizer que somos filhos de Deus é um hábito e uma coisa muito fácil. Difícil é fazer as obras de filhos de Deus. São José ensina que ter fé não é fazer cálculos sobre as possibilidades, ou não, da revelação e promessa de Deus. Ter fé é aceitar com ternura a revelação de Deus, confiando e entregando-se plenamente a Deus. São José é imagem perfeita do homem justo, bondoso e humano, cujo silêncio simboliza a abertura para Deus e seu trabalho, disponibilidade e empenho na criação de um mundo novo do qual participam outros homens “justos” da Bíblia, cujo exemplo maior é Abraão.
São José cuida exemplarmente de Jesus e Maria. Deixa-se conduzir por Deus, com uma fé dócil e silenciosa. São José não deu “trabalho” a Deus. No entanto, como Deus deu trabalho a São José!...

20/03/2011 2º Domingo da Quaresma

2ª semana do saltério
Missa pr: Cr, Pf deste domingo
Primeira leitura: Gênesis 12, 1-4a
Segunda leitura: 2Timóteo 1, 8b-10
Evangelho: Mateus 17, 1-9 (Transfiguração)
Reflexão:
Na Transfiguração de Jesus no monte Tabor, Deus o apresenta a seus discípulos como Servo e Messias a quem devem escutar. O relato evangélico assinala que o messianismo de Jesus não se dá diante do público que exulta, vibra e canta, mas em um ambiente de recolhimento e oração. Ao contrário de Moisés que subia solitário a montanha sagrada, Jesus se faz acompanhar, indicando que a mensagem de Deus não é exclusiva para iniciados mas atinge a todos.
É interessante notar que Pedro, Tiago e João, os três apóstolos que sobem o Tabor com Jesus, são os mesmos que pouco tempo depois subirão com Ele ao jardim de Getsêmani. No alto do Tabor, diante do Cristo esplendoroso em luz, ficam ofuscados e atordoados de tanta alegria e Pedro grita: “É bom ficarmos aqui... Façamos três tendas”. No Getsêmani, diante do Cristo gotejando de sangue, ficam atordoados pelo medo, pelo escândalo, e pelo sono... E, pouco depois, o mesmo Pedro afirmará: “Juro: não conheço este homem!”
Jesus não nos garante uma permanência prolongada sobre o Tabor. Pode conduzir-nos em sua companhia até muito alto, até não sentirmos mais o peso da vida de cada dia. Mas depois pode também chamar-nos para vigiar com Ele em intermináveis noites de desânimo, dúvida e escuridão. Este é o ponto crítico da nossa vida cristã. Não nos transformarmos em desertores. Não trair. Saber dizer: “Sim, conheço este Homem!”, tanto sobre o Tabor como no Getsêmani, como também sobre o Calvário. E Ele dirá que também nos conhece.

27/03/2011 3º Domingo da Quaresma

3ª semana do saltério
Missa pr: Cr, Pf quaresmal I ou II
Primeira leitura: Êxodo 17,3-7
Segunda leitura: Romanos 5, 1-2.5-8
Evangelho: João 4, 5-42 ( Jesus e a Samaritana)
Reflexão:
Jesus revela a uma mulher de vida irregular o segredo da sua messianidade: “Sou eu que falo contigo”. De um lado do poço ele, o peregrino sedento e queimado pelo sol e que pede um gole de água; do outro lado uma mulher repudiada por cinco maridos e que agora é concubina de um sexto homem. A samaritana representa cada um de nós, sedentos em busca da fonte de onde se pode tirar “água viva”. No diálogo de Jesus com a samaritana surgem as condições fundamentais para quem quer ser seu discípulo: 1. Jesus é aquele que proclama o início de uma relação nova e profunda entre Deus e o homem; 2. Jesus é a verdade. Nele está o culto autêntico e definitivo a Deus; 3. Jesus é perene e superior às leis, patriarcas e profetas de ontem e de hoje. Quem faz a opção por Jesus transforma sua vida e torna-se, como a samaritana, anunciador da Boa Nova.
No trecho da carta aos Romanos proclamado neste domingo, São Paulo diz que como Abraão foi justificado pela sua fé inabalável em Deus e nas suas promessas, nós hoje somos justificados e santificados pela fé em Jesus Cristo. A fé em Jesus nos habilita a aceitar as dificuldades e a vencer as tentações. A fé verdadeira é geradora de esperança de salvação. Essa salvação nos é garantida pela força do Espírito Santo que está no nosso coração. E Deus é quem dá essa salvação por meio de Jesus Cristo, que morreu, inocente, pelos pecadores. A fé, a esperança, a salvação, são dons gratuitos de Deus, merecidos por Jesus Cristo e garantidos pelo Espírito Santo.
Para dar ao homem a possibilidade de viver a vida de Deus foi que Jesus morreu. E morreu não pelos justos, mas por nós, pecadores. Nisso se revelou o imenso amor de Deus por nós. Portanto, não é compreensível que o cristão negue amor e compreensão a todas as pessoas, principalmente às mais necessitadas. Estaremos tanto mais perto da fé em Jesus Cristo, quanto mais perto estivermos dos pecadores e dos marginalizados. |