5º DOMINGO DO TEMPO COMUM  Lc 5, 1-11  (Pesca abundante) 07/02/2010

Pescar homens para o Reino de Deus significa colocar as pessoas diante da Palavra e levá-las a refletir e também assumir o sentido de sua existência. Nosso Senhor Jesus, em quem se manifesta o quanto Deus ama a humanidade, espera de cada um uma resposta de amor através do serviço aos irmãos. É preciso lançar as redes para aquilo que Deus deseja: uma rica pesca de eleitos. Para que tal aconteça Deus quer contar com “ pescadores” generosos” .  Joga-se bem a rede quando se trata bem as pessoas, pois quem trata bem faz amigos, quem trata mal faz inimigos. Quem faz a melhor pescaria? Será preciso pensar para responder? No entanto, não é a expectativa de retorno que nos deve levar à praia. Assim age a sociedade de consumo globalizada. E ela é desumana. Vamos à pescaria na alegria e disponibilidade de ver saindo de nossa porta sorrindo aquele que chegou chorando. É ver sair sereno aquele que chegou angustiado. É ver, através de nós, reconciliado com o mundo aquele que odiava todas as coisas por ter perdido a alegria de viver.
Porque viver é conviver. E quando alguém vê concretizar dentro de si esta realidade, uma vida está renascendo. Sejamos pescadores!


6º DOMINGO DO TEMPO COMUM  Lc 6, 17.20-26 (Bem-aventuranças) 14/02/2010

O Reino de Deus que Jesus vem anunciar aos pobres, não é outra coisa que a Aliança, ou seja, que a vontade de Deus seja feita entre os homens. Jesus vem anunciar  aos pobres que Deus é amigo deles, quer morar com eles. É a decisão de Deus, e Jesus é a encarnação desta decisão. Por isso as coisas precisam mudar, pois Deus não pode habitar como Pai entre homens que não sejam irmãos.
Aqueles que se felicitam por sua riqueza vai sair perdendo porque já alcançaram o que queriam. É como se estivessem de barriga cheia antes do prato principal.
Jesus estabeleceu uma oposição entre os dois reinos: o imediato, fruto do poder do homem, e o definitivo (ou escatológico), fruto de sua soberana gratuidade, manifestada aos pobres, mas igualmente aberto aos ricos que amarem  os pobres, porque o amor fraterno é que permanece para sempre, diante da face de Deus.
O dinheiro é o grande rival de Deus. Isto está em numerosas páginas da Sagrada Escritura. Encontra-se, igualmente, em todo o percurso da História. Encontra-se isso nas minúcias do dia-a-dia.
Deus fez a terra para todos. O dinheiro a divide entre alguns.
O homem adora o dinheiro. E se esquece de Deus. Depois, geme amargurado sob as conseqüências dessa escolha.
O Povo de Deus que Jesus vem constituir é o povo formado por aqueles que sabem que não têm tudo, que estão abertos para a graça que vem de Deus e só têm seu amor para lhe retribuir. O Reino de Deus não se compra com dinheiro. Recebe-se o Reino com o coração esvaziado.


QUARTA-FEIRA DE CINZAS Mt 6,1-6.16-16    (17/02/2010)

Eis agora o tempo favorável, eis agora o dia da salvação,  assim nos fala hoje o Apóstolo. Que isto seja verdade para nós. Quem não conhece a tentação de tudo recomeçar a partir do princípio? São tantos a falar em mudanças em todos os planos, em todos os setores.
Ora, hoje nos reunimos a fim de dar início a uma importante caminhada, que para alguns poderá parecer talvez pouco confortável. Hoje iniciamos nossa subida para a Páscoa! Realmente, inicia-se hoje o tempo da verdadeira renovação! Que ressoe pois a trombeta porque Deus está a chamar. Deus está a convidar, a convocar seu povo para escutar seu clamor, sua palavra e lhe propor nova aliança. Abramo-nos a Ele e à sua Palavra. Seja-nos dado viver na celebração de hoje e nas de cada dia desta Quaresma, de um modo sincero e autêntico, a Palavra do Profeta: Voltai ao Senhor vosso Deus de todo o coração pois eis que chegou o tempo favorável.
Que Ele nos conduza pelo caminho que leva à Páscoa, unidos a todos os irmãos e cheios da alegria do Espírito.

A CNBB promove, todos os anos, durante a Quaresma e a Semana Santa, a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade principal é aprofundar a evangelização entre os fiéis.


1º DOMINGO DA QUARESMA  Lc 4, 1-13 (Tentação de Jesus) (21/02/2010)

Jesus foi tentado em todas as coisas à nossa semelhança, passou pelas provações que nós (Hb 4,15). Tentado a abandonar a missão assumida no Batismo, Jesus permanece fiel a Deus no poder do Espírito. Não abandona a intimidade com o Pai ou a busca da realização de sua vontade, apesar das dores e provações. Não sucumbiu.
Reafirmemos, nós também, nossa esperança e nossa fidelidade a Deus pela retomada do caminho. Do caminho da esperança, da justiça e da igualdade entre “judeus e gregos”. Como bem o disse São João Crisóstomo: não basta deixar o Egito, é necessário dirigir-se à terra prometida”.
Jesus é o nosso caminho, a luz para a caminhada. Com ele celebraremos a Páscoa, e com ele venceremos.
“Pai nosso, perdoa as nossas ofensas, como perdoamos a quem nos ofende, e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”.


Segundo Domingo da Quaresma Lc 9, 28b-36 - (28/02/2010)

O relato da transfiguração de Jesus acentua de modo extraordinário a relação de Jesus com Deus. Na sua transfiguração, no escuro da noite os apóstolos percebem a glória de Deus, ou seja, sua santidade e grandeza. Diferente de Moisés em Ex 34, 29 não é o apenas o rosto que resplandece, mas todo o corpo de Jesus. Moisés e Elias eram prelúdios da manifestação de Deus; eram indicadores desde Abraão da chegada do Messias. A nuvem que os envolve é símbolo da presença divina. A ligação de Jesus com os grandes personagens da religião e da história do povo de Israel sinaliza a conformidade e continuidade de Jesus com o Antigo Testamento. Por isso Moisés e Elias conversaram com Jesus: não há quebras ou cortes com o passado. Moisés está ligado com a lei que o Messias virá completar. Elias é o representante da luta pela renovação da verdadeira veneração de Deus que Jesus com tanto empenho continuou.
A voz que se revela: “Escutai-o!”, confirma que a obediência de Jesus e sua ação em favor da libertação dos homens são do pleno agrado do Pai. O pedido de Pedro para construir três tendas, é a tentativa de eternizar a percepção da vocação do ser humano que é ser transfigurado.
Todo cristão, portanto, tem como missão transformar a realidade desfigurada na qual milhares, milhões de homens e mulheres têm rostos desfigurados onde quase não parecem mais gente. Aqueles que crêem no plano de Deus que quer transfigurar todos os homens para a libertação plena e total devem se dedicar a transfigurar os rostos deformados. Com a Palavra nas mãos e no coração questionemos os causadores de tantas mortes a ser uma luz de esperança. A “desfiguração” não é fruto de mero acaso, mas o resultado de identificáveis situações e estruturas econômicas, sociais e políticas.
Rostos de crianças que sofrem a nefasta conseqüência da miséria mesmo antes de nascer.
Rostos de crianças com carências afetivas porque foram abandonadas pela busca incessante de lucro e de prazer.
Rostos de jovens desorientados, revoltados, frustrados por falta de realização pessoal.
Rostos de indígenas e africanos obrigados a viver na mais completa marginalização.
Rostos de milhares de famílias submetidas a sistemas comerciais que as exploram e obrigam a migrar.
Rostos de trabalhadores não capacitados profissionalmente, mal remunerados, joguetes dos que faturam sobre eles.
Rostos de velhos abandonados, pois só vale aquele produz.
Rostos de mulheres e moças que lançam mão de meios “violentos” para sobreviver...
“Nós comungamos, Senhor Deus, no mistério da vossa glória e nos empenhamos em render-vos graças, porque sabemos que quereis que todos, ainda aqui na terra, possam participar dos bens do céu. Amém!

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