A fecundidade do tempo

Meus amigos, estamos iniciando nossa caminhada pastoral. Este ano de 2010 será para cada um de nós fecundo, pois quem está gerando as ações e atividades somos nós mesmos. Pensamos muito ano passado, no ritmo de nossa caminhada, passamos pela assembleia paroquial, e chegamos à Diocesana. Pensamos nas três prioridades de ação que iremos trabalhar: família, juventude e formação.
Para a realização desses temas é necessário sabermos utilizar com afinco o bendito tempo, pois nos dá as condições necessárias para uma devida aprendizagem, a maturidade da caminhada.
A vida paroquial é uma construção! Não fazemos parte de uma estrutura imóvel, mas dinâmica, em que cada pessoa faz parte de um grande quebra cabeça. Somos importantes nessa construção, execução desses projetos. Somos muitos, mas formamos um só corpo. Você é peça importante e fundamental nessa construção!
Em que o nosso tempo é importante? Nosso ser Igreja pede de cada um de nós uma identidade que é construída a partir das formações, realização dos planos de ação. Portanto, os encontros devem ter nosso olhar: para dentro, o amadurecimento de minha caminhada pastoral, eu vou me formar para que minha pastoral/movimento possa se encontrar dentro desse caminho de seguimento de Jesus Cristo; para fora, minha formação não é isolada, e a pergunta a ser feita é como posso contribuir com os outros nessa construção da minha Igreja? Ao mesmo tempo que me formo, fortaleço a minha caminhada eclesial, dando condições para que cada pessoa possa se apaixonar pela pessoa e mensagem de Jesus.
Esse tempo que é fecundo, pois caminhamos na diversidade pastoral, saindo de uma pastoral de manutenção (mantermos nossa caminhada como está) e partimos para a renovação pastoral (pedida pelo documento de Aparecida): a Pastoral orgânica.
Que possamos aproveitar nosso tempo, nossas formações, nossos momentos de partilha, nossos momentos em que podemos enriquecer nosso ser Igreja. Deus conta com seu tesouro, que é sua disponibilidade.

Pe. Sebastião Márcio Maciel

E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. Jo 1, 14.

Estamos iniciando o tempo do advento. Tempo propício de espera do Senhor que vem. O Ano Litúrgico começa no 1o domingo do Advento, assim como o ano civil começa em 1o de janeiro. Mas, na verdade, o Ano Litúrgico não tem começo nem fim.
O sentido do Tempo do Advento foi-se perdendo a partir do século X e ficou limitado ao aspecto sentimental de que o Menino Jesus vai nascer em Belém. Com o Concílio Vaticano II foi recuperado o verdadeiro sentido.
O Evangelho do primeiro Domingo refere-se à vinda do Senhor no Final dos Tempos: Espera, vigilante e comprometida. O segundo e terceiro Domingo oferece-nos a figura de João Batista e seu anúncio exigente de conversão. O Quarto domingo apresenta-nos Maria no mistério da Concepção. Tal como Maria, devemos estar atentos para encontrar-nos com Deus onde ele queira apresentar-se, bem como a levá-lo e torná-lo presente na vida.
Os personagens tem uma importância nesse tempo: Isaías. É o profeta da esperança e do anuncio dos tempos Messiânicos. Mas uma esperança comprometida com a justiça, com o aplainar todo orgulho prepotente e com voltar aos caminhos de Deus.  João Batista. Sua mensagem constitui uma parte fundamental do Advento. Preparem os caminhos; com objetivo claro: convertam-se e algumas atitudes a atingir: austeridade, compartilhar, ser justos. Maria. O tempo próprio de Maria é o Advento. A Igreja dedica-lhe o quarto domingo e, a partir de 17 de dezembro, ela aparece direta ou indiretamente em todas as missas; também tem lugar a festa da Imaculada. José. Homem justo, pai de família, trabalhador, o fiel exemplar que acrisola sua fé na prova, é imagem dos pobres de Javé, primeiros destinatários da promessa. O advento deve trazer-lhes esperança graças ao nosso compromisso de acelerar a chegada de um mundo novo.
Quatro pontos importantes devemos saber. Primeiro. O Tempo do Advento recorda a dimensão histórica da Salvação. Deus é aquele que age dentro de preciosos acontecimentos para nos trazer a salvação; ele nos deixa encontrar como salvador da história. O tempo torna-se como sacramento do agir de Deus.Com Jesus o Reino chega à sua plenitude e o Reino torna-se próximo. Segundo. O advento deixa claro a dimensão escatológica (fim dos tempos) do mistério cristão. Deus se revela em toda a Sagrada Escritura. Aquele que era, que é e que vem, como aquele que realiza a salvação e, por isso está sempre presente para salvar. Sai de uma perspectiva individualista (novíssimos: morte, juízo, inferno e paraíso) para uma visão dinâmica, em que a história como lugar do agir das promessas de Deus e direcionada para o dia do senhor. Terceiro. O Advento revela-nos a verdadeira dimensão da vinda de Cristo e tem um caráter missionário. O tempo da Igreja é o momento da atuação desse único evento que tem como característica o anúncio do Reino e o seu interiorizar-se no coração dos homens até a sua manifestação gloriosa de Cristo. É um tempo de aprofundar o significado autêntico da missão.  Quarto. Os textos do profeta Isaías apresenta-nos o Deus da Libertação. O Deus que entra com o seu advento somente nos corações pobres e disponíveis é, ao mesmo tempo, o Deus protetor da causa dos pobres e dos oprimidos. A missão à luz do advento está inteiramente voltada para suscitar a esperança dos humildes e dos fracos, que não pode se apoiar nos poderosos deste mundo, sempre frustradores, mas no poder do Deus de Jesus, que se manifesta na fraqueza, para zombar e denunciar o orgulho presunçoso dos projetos humanos.
A celebração do advento é uma insubstituível pedagogia para compreender o mistério da salvação, a fim de que Jesus seja o ponto de referência não somente para sentimentos piedosos e religiosos, mas para empenhar toda a existência no anúncio e testemunho do Reino.
A espiritualidade do Advento. A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o cristão.  A liturgia aponta para essa realidade quando assume a esperança de Israel, o faz vivendo em níveis mais profundos e plenos de atuação. A esperança da Igreja é a mesma esperança de Israel, mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade, então, fixa-se com esperança mais segura no cumprimento final, a vinda gloriosa do Senhor. Essa temática é acompanhada da alegria, porque aquilo que se espera certamente acontecerá. Tempo do já e ainda não. Toda a Igreja vive uma grande esperança. O pai que entrega seu filho ao mundo, doa ao mesmo tempo a esperança ao mundo. A Igreja é chamada a tornar-se sinal concreto de libertação integral do homem. Nesse empenho a Igreja torna-se mais forte e urgente diante das grandes áreas vazias de esperança., que se registram no mundo contemporâneo. A geografia do desespero é maior e mais terrível do que a da fome e é expressão aterradora do avanço do indiferentismo e da globalização. . Isso indica que o mundo necessita reencontrar o sentido autêntico da vida para que possa ainda ter esperança. Tempo de conversão. Não é possível viver a expectativa , a esperança e a alegria pela vinda do Senhor, sem uma profunda conversão.  O espírito de conversão do advento é diferente da quaresma. Na quaresma, é marcada pela austeridade da reparação do pecado. No advento alegria da vinda do senhor.
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a Coroa do Advento, tem a sua origem em uma tradição pagã européia. No inverno, se acendiam algumas velas que representavam ao "fogo do deus sol" com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partiam de seus próprios costumes para ensinar-lhes a fé. Possui algumas características: A forma circular: O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca se deve terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de "elo", de união entre Deus e as pessoas, como uma grande "Aliança". As ramas verdes: Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus, em sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na sua segunda e definitiva volta. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor das velas (verde, vermelha, rosa, branca) nos convida a pensar no processo do amanhecer, a luz nasce na aurora. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
Desejo a você meu irmão e irmã, um santo Advento. Um Natal cheio de paz repleto com as bênçãos do Menino Deus. Um 2010 abençoado.

Pe. Sebastião Márcio Maciel

 

UMA MULTIDÃO INCONTÁVEL DE GENTE

O simbólico tem um forte poder de atração. Ele fala, atrai, modifica estruturas, convence. A sociedade atual se move pela imagem. A Imagem é tudo hoje. A imagem é muito mais do que uma escultura, pode ser qualquer coisa que permita excitar a nossa vista: uma escultura, um desenho, uma pintura, um objeto. Ela, sem precisar de palavra, consegue falar e sensibilizar as pessoas com muito mais facilidade do que muitas palavras. Elas por si mesmas carregam uma linguagem própria.
No cenário religioso as imagens foram e são um veículo catequético. Nas Igrejas, as imagens tornaram-se a “Bíblia dos Iletrados”, dos simples e das crianças. Mas no nosso contexto contemporâneo necessita ser bem compreendido, para que possam alcançar seu verdadeiro significado.
Comecemos então por entender o que significa a devoção aos santos. Até o século XVI o culto de veneração (não de adoração) foi tranqüila e óbvia entre os cristãos. O concílio de Trento (1545-1563) confirmou a validade e importância desse culto e ao mesmo tempo ensinou a evitar certos abusos e mal-entendidos, muitas vezes enraizados na religiosidade popular. O Concílio Vaticano II (1962-1965) mostrou o aspecto de que Cristo esta no centro dessa devoção. Os Santos são santos não por mérito deles, mas pelo seu segmento radical à pessoa e ensinamento de Jesus Cristo. Vejamos: Culto de latria (de adoração), que prestamos so­mente a Deus. Culto de dulia (doulos: servo), prestado aos san­tos (veneração). Culto de hiperdulia (veneração toda especial), a Nossa Senhora.
A Igreja Católica nunca afirmou que devemos "adorar" as imagens dos Santos. Desde quando a Igreja atribui-lhes poderes de salvar a humanidade? Nunca a Igreja prestou-lhes um culto de adoração.
Note bem que a imagem é um objeto que apenas lembra algo fora dele; o ídolo, por outro lado, "é o ser em si mesmo': A quebra de uma imagem não destrói o ser que representa; já a destruição de um ídolo implica a destruição da falsa divindade.
Rogando aos Santos não os olhamos nem consideramos senão como nossos intercessores para com Jesus Cristo, que é o único Medianeiro (cf. 1 Tm 2,4) que nos remiu com seu sangue, e por quem podemos alcançar a salvação.
Os Santos viveram como nós essa vida. Buscaram cada dia se assemelhar à pessoa de Jesus Cristo. São Vicente dizia: “um cristão não deveria fazer as coisas extraordinárias, mas sim, fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias”.
Veneramos os Santos, representados nas imagens, porque seus exemplos de vida nos servem de modelo de vida e nos indicam o verdadeiro caminho: Jesus Cristo (cf Io 14,6), único Mediador e Redentor da humanidade. Além disso, os Santos intercedem por nós sem cessar diante de Deus. Quando veneramos os Santos, estamos dando glória a Deus porque eles são Santos pela graça de Deus.
Se adorarmos uma criatura, criada por Deus ou pelo homem, aí sim estaremos cometendo o pecado da idolatria, severamente punido por Deus. (Cf. Prof. Felipe de Aquino, A Intercessão e o Culto dos Santos: Imagens e Relíquias, Editora Cléofas, 2006).

Pe. Sebastião Márcio Maciel

 

O QUE É O DIACONATO

Aos 20 dias de fevereiro de 2009, eu cheguei à paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa de Monte Sião para iniciar meu Estágio Pastoral. Nossa Arquidiocese assumiu a partir do ano de 2007 uma experiência que após o término dos estudos de Teologia, todo seminarista deve fazer um Estágio Pastoral. Este quer ser um período de transição ao ministério ordenado, adaptação à nova forma de vida, integração e internalização da formação e seus valores no trabalho pastoral. Durante oito meses que aqui estou residindo, tive e estou tendo a graça e a oportunidade de conviver com os padres (Pe. Simão e Pe. Sebastião) que muito me ensinam, e me motivam a seguir em frente; com o povo, que me acolheu de braços abertos para meu período de Estágio. Estou tendo a oportunidade de acompanhar os mais diversos trabalhos pastorais da paróquia e na medida do possível assessorar. Tudo isso tem me enriquecido muito no meu amadurecimento vocacional. Depois deste tempo de preparação, foi marcada a ordenação diaconal.  Bem, vamos entender o que quer dizer e ser Diácono.
O Diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem. Os outros dois são o presbiterato e o episcopado, portanto, Diáconos, Presbíteros e Bispos compõem a hierarquia da Igreja. Para os Diáconos as mãos lhes são impostas pelo Bispo para o serviço e não para o sacrifício.
O que faz o Diácono?
Diaconia quer dizer Serviço, o Diácono é ordenado para Servir. Faz parte do ministério do Cristo Servo, "que veio para servir e não para ser servido". A Lumem Gentium diz que: servem o povo de Deus na Diaconia da Liturgia, da Palavra e da Caridade. (LG 29). Na Celebração Eucarística o Diácono tem funções próprias: servir o altar, proclamar o Evangelho, convidar para o abraço da paz, purificar os vasos sagrados e fazer a despedida. Deve, ainda, incentivar a assembléia para uma participação correta e efetiva na Divina Liturgia.
O Diácono pode ainda ministrar todos os sacramentais; dar as bênçãos (objetos de devoção, casas, automóveis, etc.), inclusive a bênção com o Santíssimo Sacramento. Pode também presidir à celebração da Palavra, do Matrimônio e das Exéquias.

Leandro Aparecido da Silva

Leandro, ordenado Diácono no dia 30 de outubro de 2009 na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre

 

A família e a escuta da Palavra de Deus

Vivemos num amanhecer de novos tempos. Deus conduz e guia seu povo peregrino nessa história. Em nossos dias a Palavra de Deus ganhou novo impulso em todos os níveis de nossa sociedade, seja no nível evangélico como católico. Mas o reflexo dessa redescoberta está no cotidiano do ser humano. Pois a Palavra de Deus é viva e acompanha a nossa história. As ciências nos ajudam a interpretar com fidelidade a Palavra que deve ser a plataforma de vida de nossa sociedade a começar pela Família, como já bem dizia João Paulo II, a “Família é a célula da sociedade”.
Em nosso tempo percebe-se a real necessidade de ajudar nosso povo a ter um contato com a Palavra, como convida o papa Bento XVI aos jovens “a adquirir familiaridade com a Bíblia, a tê-la ao alcance da mão, para ser uma bússola a indicar a estrada a seguir”. Em um mundo onde cada um assume seu referencial a Sagrada Escritura deve ter um lugar especial na vida da família. Seja pela oração, pelo estudo ou pelo seu anuncio na vida familiar. Se a missão da Igreja é tornar conhecido o Projeto de Deus, ele deve começar pela Família.
A família tem como primeiros e principais destinatários deste anúncio missionário os seus filhos e familiares, como o atestam as Cartas Pastorais paulinas e sua concretização posterior. À luz da feliz experiência da Igreja nas sociedades cristãs (quando a família realizou esta missão educadora com seus filhos) e à luz também das gravíssimas repercussões negativas que hoje se constatam (pelo abandono ou descuido desta missão), é preciso que a família volte a ser a primeira educadora da fé O principal apostolado missionário dos pais deve realizar-se em sua própria família, pois seria uma desordem e um anti-testemunho pretender evangelizar a outros, descuidando a evangelização dos nossos. Os pais transmitem a fé aos seus filhos com o testemunho de sua vida cristã e com sua palavra.
O Concílio Vaticano II propõe o encontro com o Livro Sagrado quando afirma: “Deus (...) fala aos homens como a amigos (...) para os convidar e os receber em comunhão com Ele”. “Nos Livros Sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos e conversa com eles”. Essa é a aliança de Deus conosco e com as Famílias. Deus vem ao nosso encontro para caminhar conosco (Dei Verbum 21).
Nesse tempo em que a Igreja dedica a atenção e ao estudo dessa Palavra, possam nossas Famílias rezar como o Salmista “a vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos” (Sal 119,105). O Senhor, que ama a vida e entende com a sua Palavra iluminar, guiar e confortar toda a vida dos crentes em todas as circunstâncias, no trabalho, no tempo livre, no sofrimento, nos deveres familiares e sociais e em todas as vicissitudes alegres ou tristes, de modo que todos possam discernir todas as coisas e conservar o que elas têm de bom (cf. 1Tess 5,21), descobrindo assim a vontade de Deus, e pondo-a em prática (cf. Mt 7,21).

Pe. Sebastião Márcio Maciel

 

Maria em nossa caminhada, uma luz que ilumina a nossa vida cristã

            Um dia Jesus virá, pela segunda vez, para julgar vivos e mortos. Ninguém sabe quando será o dia e nem a hora. Esta incerteza nos convida a estarmos sempre preparados e vigilantes.
            Maria em nossa caminhada é uma luz que ilumina a nossa vida cristã. Ela nos ensina a sermos vigilantes, procurando colocar em prática o duplo mandamento do amor, que é a expressão maior da vontade de Deus, a síntese, o resumo da Sagrada Escritura. Certo dia um fariseu perguntou a Jesus: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. Isto é, devemos amar a Deus plenamente e em todos os momentos de nossa vida. E sem que o fariseu perguntasse, ele acrescentou logo: “O segundo é semelhante a esse: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Toda lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.
            Maria é uma luz em nossa caminhada, porque mais do que ninguém soube colocar em prática o duplo mandamento do amor. Maria é chamada pelo Anjo Gabriel a “Cheia de Graça”, como se esse fosse o seu verdadeiro nome. Isto é, alguém cheia de Deus, envolvida pela presença de Deus. Alguém que amava a Deus profundamente. E porque amava a Deus em profundidade, amava concretamente ao próximo. Era sensível e atenta às necessidades do irmão. Podemos comprovar isso, pelo menos, em quatro momentos de sua vida:

  • na visita à Isabel;
  • na intervenção nas Bodas de Caná;
  • na solidariedade a Jesus , junto à cruz;
  • após a Ascensão, quando acompanha os Apóstolos e discípulos de Jesus, sendo perseverantes  com eles na oração.

            Porque Maria era tão sensível, atenta às necessidades do próximo? Porque, antes de tudo, amava a Deus, acima de todas as coisas e em todos os momentos de sua vida. Assim, o termômetro para constatarmos se estamos amando ou não a Deus, é a nossa sensibilidade e atenção às necessidades do próximo.
            Peçamos à Maria que venha caminhar conosco para nos ensinar a colocar em prática o duplo mandamento do amor, para que, à sua semelhança, sejamos luz na caminhada de nossos irmãos e irmãs, para um dia participarmos das alegrias do céu.

                                                           Pe. Narcizo Pires Franco



Setembro mês da Bíblia

Na Bíblia encontramos o plano e as intenções de Deus para conosco.
A Igreja se nutre da Palavra de Deus revelada na Bíblia e também da Palavra de Deus que se fez carne e se dá fisicamente a nós na Eucaristia.
A Bíblia alimenta os fiéis porque é, literalmente, a Palavra de Deus. Deus é o autor da Sagrada Escritura porque tudo na Bíblia foi inspirado pelo Espírito Santo.
Deus mesmo inspirou os autores humanos da Bíblia ao escolher determinadas pessoas para escrever, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que Ele quis que escrevessem.
            Há três normas básicas para interpretar a Bíblia:

  1. Prestar atenção ao conteúdo e à unidade da Bíblia como um todo.
  2. Ler a Bíblia à luz de toda a tradição da Igreja.
  3. Estar atento à analogia da fé, que significa a coerência das verdades da fé entre si e no contexto de toda a Revelação.

Santo Agostinho ensina que o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo está desvendado no Novo. O conhecido Pe. Zezinho, SCJ, com versos singelos e profundos, como é do seu estilo, canta assim a Bíblia:
“Santo Livro, louvado seja Deus por seus autores.
Santo Livro, louvado seja Deus por seus leitores.
Santo Livro que me ensina a contemplar.
Santo Livro que me ensina a caminhar.
Santo Livro, quem te lê com amor e com fé,
Santo Livro! Certamente viverá melhor.”
Esta imagem positiva da Bíblia, só o cristão pode dar.
A Bíblia católica tem 35.568 versículos que Jesus resume num só: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração e com todo o seu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.”
Este ensinamento do Senhor é o centro da espiritualidade vicentina. Lembro que, em 27 de setembro, a Igreja Católica celebra a memória de São Vicente de Paulo. A compaixão de Jesus está na raiz da opção pelos pobres. Amar os pobres é, antes de tudo, estabelecer com eles um “nexo afetivo” como o vicentino é convidado a fazer e viver. É, em seguida, a exemplo de Jesus, respeitar seu coração machucado e desprezado. Isto é ser vicentino. Isso implica sempre em mudança de estilo de vida. Daí nasce também o compromisso pela justiça e a luta para a vida e a dignidade dos excluídos. A misericórdia se estende também a todos os que os sistemas morais e religiosos condenam e que são tidos como pecadores, proscritos, perdidos, desgraçados. A lista aqui é longa, dividida em categorias tradicionais e outras novas: as prostitutas, as (os) garotas(os) de programa, as mães solteiras, os recasados, os homossexuais, os envolvidos no tráfico, as vítimas da Aids, etc.etc.
            Simone Weil, filósofa e mestra espiritual, tem um pensamento lapidar com o qual encerro esta reflexão:
“Eu reconheço quando alguém é de Deus não quando me fala de Deus, mas pela sua forma de relacionar-se com o mundo.”                                                                 

 Emanuel Mignone Cheibub

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