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EUCARISTIA,
PÃO DA UNIDADE
DOS DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS
Em
todos os momentos de nossas vidas, “se Jesus está presente,
não existe nenhum tempo vazio e privado de sentido”.
(Papa Bento XVI, Homilia em 28 de novembro de 2009). Como
sabemos, “o culto da Eucaristia é o sol dos
belos dias, que aquece, reanima e fecunda a natureza e
faz crescer e amadurecer os frutos por toda a parte. Mas
quando o Santíssimo Sacramento é esquecido,
encerrado num canto da sacristia, assemelha-se então
ao sol do inverno que, brilhando durante algumas horas
apenas, deixa a terra sempre fria e gelada. Coloquemo-nos
sob as salutares influências do Sol Eucarístico
e tudo será renovado!” (São Pedro Julião
Eymard, Flores da Eucaristia, página 328).
Neste mês em Brasília acontecerá o
XVI Congresso Eucarístico que será realizado
de 13 a 16 de maio e terá como tema Eucaristia,
pão da unidade dos discípulos missionários e
por lema Fica conosco, Senhor! (cf. Lc
24,29). O Congresso Eucarístico Nacional será o
ponto central das celebrações dos 50 anos
da Arquidiocese de Brasília, que contarão
também com uma retrospectiva histórica dos
acontecimentos mais importantes da Arquidiocese como a
primeira missa celebrada no marco inicial da construção
da cidade em 1957 e o VIII Congresso Eucarístico
Nacional, realizado em 1970.
O que é um congresso eucarístico? Um Congresso
Eucarístico é uma manifestação
pública de fé na presença real de
Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Nesse sentido,
assemelha-se à Festa de Corpus Christi. É um
autêntico sinal de testemunho da piedade Eucarística,
pois, durante os dias da realização do Congresso
Eucarístico, há espaço para a adoração
eucarística e, sobretudo, para a celebração
da Santa Missa. Um Congresso Eucarístico é também
um acontecimento de Igreja que revela sua dimensão
sobrenatural e religiosa.
Três características tem os Congressos Eucarísticos:
aprofundar a doutrina cristã sobre a Eucaristia;
prestar culto público e solene ao Santíssimo
Sacramento: adoração e reparação;
manifestar a universalidade e unidade da Igreja.
Os Congressos Eucarísticos preocupam também
com outros aspectos, sócio-políticos diversificados
e temáticas específicas: irradiar para a
Igreja e a sociedade os frutos da Eucaristia na ação
social; seminários temáticos para públicos
específicos: crianças, jovens, militares,
universitários, operários, políticos
e empresários, casais e idosos, doentes e deficientes,
prisioneiros e dependentes de drogas, marginalizados e
excluídos; Eucaristia e Missionariedade; Eucaristia,
Evangelização e Meios de Comunicação
Social.
Para atingir seus objetivos, os Congressos Eucarísticos
realizam atividades diversificadas: reflexões teológico– pastorais;
solenes Celebrações Litúrgicas; programas
populares de educação da fé: missões
populares; jornadas Sociais em favor dos pobres e excluídos.
Que possamos juntos rezar pelo bom êxito desse Congresso.
Momento em que estará presente a união da
Igreja, presente nas suas forças vivas: bispos padres,
diáconos permanentes, religiosos e religiosas, e
todo o povo nesta grande festa. Rezemos juntos: Senhor
Jesus, Tu nos levas ao Pai. Não nos deixes
caminhar sozinhos. Fica conosco, Senhor! Desperta
nossas mentes e faze arder nossos corações
com a tua Palavra. Abre nossos olhos para te reconhecermos
no “partir o Pão”, Alimenta-nos com
o Pão da Unidade. Sustenta-nos em nossa fragilidade.
Consola-nos em nossos sofrimentos, Faze-nos solidários
com os pobres, os oprimidos e excluídos. Faze-nos
teus discípulos missionários! Amém.
Pe. Sebastião
Marcio Maciel
A fecundidade do tempo
Meus
amigos, estamos iniciando nossa caminhada pastoral. Este
ano de 2010 será para cada um de nós fecundo,
pois quem está gerando as ações e
atividades somos nós mesmos. Pensamos muito ano
passado, no ritmo de nossa caminhada, passamos pela assembleia
paroquial, e chegamos à Diocesana. Pensamos nas
três prioridades de ação que iremos
trabalhar: família, juventude e formação.
Para a realização desses temas é necessário
sabermos utilizar com afinco o bendito tempo, pois nos
dá as condições necessárias
para uma devida aprendizagem, a maturidade da caminhada.
A vida paroquial é uma construção!
Não fazemos parte de uma estrutura imóvel,
mas dinâmica, em que cada pessoa faz parte de um
grande quebra cabeça. Somos importantes nessa construção,
execução desses projetos. Somos muitos, mas
formamos um só corpo. Você é peça
importante e fundamental nessa construção!
Em que o nosso tempo é importante? Nosso ser Igreja
pede de cada um de nós uma identidade que é construída
a partir das formações, realização
dos planos de ação. Portanto, os encontros
devem ter nosso olhar: para dentro, o
amadurecimento de minha caminhada pastoral, eu vou me formar
para que minha pastoral/movimento possa se encontrar dentro
desse caminho de seguimento de Jesus Cristo; para
fora, minha formação não é isolada,
e a pergunta a ser feita é como posso contribuir
com os outros nessa construção da minha Igreja? Ao
mesmo tempo que me formo, fortaleço a minha caminhada
eclesial, dando condições para
que cada pessoa possa se apaixonar pela pessoa e mensagem
de Jesus.
Esse tempo que é fecundo, pois caminhamos na diversidade
pastoral, saindo de uma pastoral de manutenção
(mantermos nossa caminhada como está) e partimos
para a renovação pastoral (pedida pelo documento
de Aparecida): a Pastoral orgânica.
Que possamos aproveitar nosso tempo, nossas formações,
nossos momentos de partilha, nossos momentos em que podemos
enriquecer nosso ser Igreja. Deus conta com seu tesouro,
que é sua disponibilidade.
Pe. Sebastião Márcio
Maciel
E a Palavra se fez
homem e habitou entre
nós. Jo 1, 14.
Estamos iniciando o tempo do advento. Tempo propício
de espera do Senhor que vem. O Ano Litúrgico começa
no 1o domingo do Advento, assim como o ano civil começa
em 1o de janeiro. Mas, na verdade, o Ano Litúrgico
não tem começo nem fim.
O sentido do Tempo do Advento foi-se perdendo a partir
do século X e ficou limitado ao aspecto sentimental
de que o Menino Jesus vai nascer em Belém. Com o
Concílio Vaticano II foi recuperado o verdadeiro
sentido.
O Evangelho do primeiro Domingo refere-se à vinda
do Senhor no Final dos Tempos: Espera, vigilante e comprometida.
O segundo e terceiro Domingo oferece-nos a figura de João
Batista e seu anúncio exigente de conversão.
O Quarto domingo apresenta-nos Maria no mistério
da Concepção. Tal como Maria, devemos estar
atentos para encontrar-nos com Deus onde ele queira apresentar-se,
bem como a levá-lo e torná-lo presente na
vida.
Os personagens tem uma importância nesse tempo: Isaías. É o
profeta da esperança e do anuncio dos tempos Messiânicos.
Mas uma esperança comprometida com a justiça,
com o aplainar todo orgulho prepotente e com voltar aos
caminhos de Deus. João Batista.
Sua mensagem constitui uma parte fundamental do Advento.
Preparem os caminhos; com objetivo claro: convertam-se e
algumas atitudes a atingir: austeridade, compartilhar,
ser justos. Maria. O tempo próprio
de Maria é o Advento. A Igreja dedica-lhe o quarto
domingo e, a partir de 17 de dezembro, ela aparece direta
ou indiretamente em todas as missas; também tem
lugar a festa da Imaculada. José. Homem
justo, pai de família, trabalhador, o fiel exemplar
que acrisola sua fé na prova, é imagem dos
pobres de Javé, primeiros destinatários da
promessa. O advento deve trazer-lhes esperança graças
ao nosso compromisso de acelerar a chegada de um mundo
novo.
Quatro pontos importantes devemos saber. Primeiro. O
Tempo do Advento recorda a dimensão histórica
da Salvação. Deus é aquele
que age dentro de preciosos acontecimentos para nos trazer
a salvação; ele nos deixa encontrar como
salvador da história. O tempo torna-se como sacramento
do agir de Deus.Com Jesus o Reino chega à sua plenitude
e o Reino torna-se próximo. Segundo. O advento
deixa claro a dimensão escatológica (fim
dos tempos) do mistério cristão.
Deus se revela em toda a Sagrada Escritura. Aquele que
era, que é e que vem, como aquele que realiza a
salvação e, por isso está sempre presente
para salvar. Sai de uma perspectiva individualista (novíssimos:
morte, juízo, inferno e paraíso) para uma
visão dinâmica, em que a história como
lugar do agir das promessas de Deus e direcionada para
o dia do senhor. Terceiro. O Advento revela-nos
a verdadeira dimensão da vinda de Cristo e tem um
caráter missionário. O tempo da
Igreja é o momento da atuação desse único
evento que tem como característica o anúncio
do Reino e o seu interiorizar-se no coração
dos homens até a sua manifestação
gloriosa de Cristo. É um tempo de aprofundar o significado
autêntico da missão. Quarto. Os
textos do profeta Isaías apresenta-nos o Deus da
Libertação. O Deus que entra com
o seu advento somente nos corações pobres
e disponíveis é, ao mesmo tempo, o Deus protetor
da causa dos pobres e dos oprimidos. A missão à luz
do advento está inteiramente voltada para suscitar
a esperança dos humildes e dos fracos, que não
pode se apoiar nos poderosos deste mundo, sempre frustradores,
mas no poder do Deus de Jesus, que se manifesta na fraqueza,
para zombar e denunciar o orgulho presunçoso dos
projetos humanos.
A celebração do advento é uma insubstituível
pedagogia para compreender o mistério da salvação,
a fim de que Jesus seja o ponto de referência não
somente para sentimentos piedosos e religiosos, mas para
empenhar toda a existência no anúncio e testemunho
do Reino.
A espiritualidade do Advento. A expectativa vigilante
e alegre caracteriza sempre o cristão. A
liturgia aponta para essa realidade quando assume a esperança
de Israel, o faz vivendo em níveis mais profundos
e plenos de atuação. A esperança da
Igreja é a mesma esperança de Israel, mas
já realizada em Cristo. O olhar da comunidade, então,
fixa-se com esperança mais segura no cumprimento
final, a vinda gloriosa do Senhor. Essa temática é acompanhada
da alegria, porque aquilo que se espera certamente acontecerá.
Tempo do já e ainda não. Toda a Igreja
vive uma grande esperança. O pai que entrega
seu filho ao mundo, doa ao mesmo tempo a esperança
ao mundo. A Igreja é chamada a tornar-se sinal concreto
de libertação integral do homem. Nesse empenho
a Igreja torna-se mais forte e urgente diante das grandes áreas
vazias de esperança., que se registram no mundo
contemporâneo. A geografia do desespero é maior
e mais terrível do que a da fome e é expressão
aterradora do avanço do indiferentismo e da globalização.
. Isso indica que o mundo necessita reencontrar o sentido
autêntico da vida para que possa ainda ter esperança. Tempo
de conversão. Não é possível
viver a expectativa , a esperança e a alegria pela
vinda do Senhor, sem uma profunda conversão. O
espírito de conversão do advento é diferente
da quaresma. Na quaresma, é marcada pela austeridade
da reparação do pecado. No advento alegria
da vinda do senhor.
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar
no mistério da encarnação e a vivenciar
melhor este tempo. Entre eles há a Coroa
do Advento, tem a sua origem em uma tradição
pagã européia. No inverno, se acendiam algumas
velas que representavam ao "fogo do deus sol" com
a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse.
Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição
para evangelizar as pessoas. Partiam de seus próprios
costumes para ensinar-lhes a fé. Possui algumas
características: A forma circular: O
círculo não tem princípio, nem fim. É sinal
do amor de Deus que é eterno, sem princípio
e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo
que nunca se deve terminar. Além disso, o círculo
dá uma idéia de "elo", de união
entre Deus e as pessoas, como uma grande "Aliança". As
ramas verdes: Verde é a cor da esperança
e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça,
o seu perdão misericordioso e a glória da
vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos
que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus, em sua primeira
vinda entre nós, e que agora, com esperança
renovada, aguardamos a sua consumação, na
sua segunda e definitiva volta. O círculo sem
começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos
sempre verdes são sinais de esperança
e da vida nova que Cristo trará e que não
passa. A fita vermelha que enfeita a coroa
representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação
do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho
de Deus. A cor das velas (verde, vermelha, rosa, branca)
nos convida a pensar no processo do amanhecer, a luz nasce
na aurora. Os detalhes dourados prefiguram
a glória do Reino que virá.
Desejo a você meu irmão e irmã, um
santo Advento. Um Natal cheio de paz repleto com as bênçãos
do Menino Deus. Um 2010 abençoado.
Pe. Sebastião
Márcio Maciel
UMA MULTIDÃO INCONTÁVEL
DE GENTE
O simbólico tem um forte poder de atração.
Ele fala, atrai, modifica estruturas, convence. A sociedade
atual se move pela imagem. A Imagem é tudo hoje.
A imagem é muito mais do que uma escultura, pode
ser qualquer coisa que permita excitar a nossa vista: uma
escultura, um desenho, uma pintura, um objeto. Ela, sem
precisar de palavra, consegue falar e sensibilizar as pessoas
com muito mais facilidade do que muitas palavras. Elas
por si mesmas carregam uma linguagem própria.
No cenário religioso as imagens foram e são
um veículo catequético. Nas Igrejas, as imagens
tornaram-se a “Bíblia dos Iletrados”,
dos simples e das crianças. Mas no nosso contexto
contemporâneo necessita ser bem compreendido, para
que possam alcançar seu verdadeiro significado.
Comecemos então por entender o que significa a devoção
aos santos. Até o século XVI o culto de veneração
(não de adoração) foi tranqüila
e óbvia entre os cristãos. O concílio
de Trento (1545-1563) confirmou a validade e importância
desse culto e ao mesmo tempo ensinou a evitar certos abusos
e mal-entendidos, muitas vezes enraizados na religiosidade
popular. O Concílio Vaticano II (1962-1965) mostrou
o aspecto de que Cristo esta no centro dessa devoção.
Os Santos são santos não por mérito
deles, mas pelo seu segmento radical à pessoa e
ensinamento de Jesus Cristo. Vejamos: Culto de latria (de
adoração), que prestamos somente a Deus.
Culto de dulia (doulos: servo), prestado aos santos
(veneração). Culto de hiperdulia (veneração
toda especial), a Nossa Senhora.
A Igreja Católica nunca afirmou que devemos "adorar" as
imagens dos Santos. Desde quando a Igreja atribui-lhes
poderes de salvar a humanidade? Nunca a Igreja prestou-lhes
um culto de adoração.
Note bem que a imagem é um objeto que apenas lembra
algo fora dele; o ídolo, por outro lado, "é o
ser em si mesmo': A quebra de uma imagem não destrói
o ser que representa; já a destruição
de um ídolo implica a destruição da
falsa divindade.
Rogando aos Santos não os olhamos nem consideramos
senão como nossos intercessores para com Jesus Cristo,
que é o único Medianeiro (cf. 1 Tm 2,4) que
nos remiu com seu sangue, e por quem podemos alcançar
a salvação.
Os Santos viveram como nós essa vida. Buscaram cada
dia se assemelhar à pessoa de Jesus Cristo. São
Vicente dizia: “um cristão não deveria
fazer as coisas extraordinárias, mas sim, fazer
extraordinariamente bem as coisas ordinárias”.
Veneramos os Santos, representados nas imagens, porque
seus exemplos de vida nos servem de modelo de vida e nos
indicam o verdadeiro caminho: Jesus Cristo (cf Io 14,6), único
Mediador e Redentor da humanidade. Além disso, os
Santos intercedem por nós sem cessar diante de Deus.
Quando veneramos os Santos, estamos dando glória
a Deus porque eles são Santos pela graça
de Deus.
Se adorarmos uma criatura, criada por Deus ou pelo homem,
aí sim estaremos cometendo o pecado da idolatria,
severamente punido por Deus. (Cf. Prof. Felipe de Aquino,
A Intercessão e o Culto dos Santos: Imagens e Relíquias,
Editora Cléofas, 2006).
Pe. Sebastião Márcio
Maciel
O QUE É O
DIACONATO
Aos 20 dias de fevereiro de 2009,
eu cheguei à paróquia
Nossa Senhora da Medalha Milagrosa de Monte Sião
para iniciar meu Estágio Pastoral. Nossa Arquidiocese
assumiu a partir do ano de 2007 uma experiência que
após o término dos estudos de Teologia, todo
seminarista deve fazer um Estágio Pastoral. Este
quer ser um período de transição ao
ministério ordenado, adaptação à nova
forma de vida, integração e internalização
da formação e seus valores no trabalho pastoral.
Durante oito meses que aqui estou residindo, tive e estou
tendo a graça e a oportunidade de conviver com os
padres (Pe. Simão e Pe. Sebastião) que muito
me ensinam, e me motivam a seguir em frente; com o povo,
que me acolheu de braços abertos para meu período
de Estágio. Estou tendo a oportunidade de acompanhar
os mais diversos trabalhos pastorais da paróquia
e na medida do possível assessorar. Tudo isso tem
me enriquecido muito no meu amadurecimento vocacional.
Depois deste tempo de preparação, foi marcada
a ordenação diaconal. Bem, vamos entender
o que quer dizer e ser Diácono.
O Diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem.
Os outros dois são o presbiterato e o episcopado,
portanto, Diáconos, Presbíteros e Bispos
compõem a hierarquia da Igreja. Para os Diáconos
as mãos lhes são impostas pelo Bispo para
o serviço e não para o sacrifício.
O que faz o Diácono?
Diaconia quer dizer Serviço, o Diácono é ordenado
para Servir. Faz parte do ministério do Cristo Servo, "que
veio para servir e não para ser servido". A
Lumem Gentium diz que: servem o povo de Deus na Diaconia
da Liturgia, da Palavra e da Caridade. (LG 29). Na Celebração
Eucarística o Diácono tem funções
próprias: servir o altar, proclamar o Evangelho,
convidar para o abraço da paz, purificar os vasos
sagrados e fazer a despedida. Deve, ainda, incentivar a
assembléia para uma participação correta
e efetiva na Divina Liturgia.
O Diácono pode ainda ministrar todos os sacramentais;
dar as bênçãos (objetos de devoção,
casas, automóveis, etc.), inclusive a bênção
com o Santíssimo Sacramento. Pode também
presidir à celebração da Palavra,
do Matrimônio e das Exéquias.
Leandro Aparecido da Silva
Leandro, ordenado
Diácono no
dia 30 de outubro de 2009 na Catedral Metropolitana de
Pouso Alegre
A família
e a escuta da Palavra de Deus
Vivemos
num amanhecer de novos tempos. Deus conduz e guia seu povo
peregrino nessa história. Em nossos dias a Palavra
de Deus ganhou novo impulso em todos os níveis de
nossa sociedade, seja no nível evangélico
como católico. Mas o reflexo dessa redescoberta
está no cotidiano do ser humano. Pois a Palavra
de Deus é viva e acompanha a nossa história.
As ciências nos ajudam a interpretar com fidelidade
a Palavra que deve ser a plataforma de vida de nossa sociedade
a começar pela Família, como já bem
dizia João Paulo II, a “Família é a
célula da sociedade”.
Em nosso
tempo percebe-se a real necessidade de ajudar nosso povo a ter um contato com
a Palavra, como convida o papa Bento XVI aos jovens “a adquirir familiaridade
com a Bíblia, a tê-la ao alcance da mão, para ser uma bússola
a indicar a estrada a seguir”. Em um mundo onde cada um assume seu referencial
a Sagrada Escritura deve ter um lugar especial na vida da família. Seja
pela oração, pelo estudo ou pelo seu anuncio na vida familiar.
Se a missão da Igreja é tornar conhecido o Projeto de Deus, ele
deve começar pela Família.
A família
tem como primeiros e principais destinatários deste anúncio
missionário os seus filhos e familiares, como o atestam as Cartas Pastorais
paulinas e sua concretização posterior. À luz da feliz
experiência da Igreja nas sociedades cristãs (quando a família
realizou esta missão educadora com seus filhos) e à luz também
das gravíssimas repercussões negativas que hoje se constatam
(pelo abandono ou descuido desta missão), é preciso que a família
volte a ser a primeira educadora da fé O principal apostolado missionário
dos pais deve realizar-se em sua própria família, pois seria
uma desordem e um anti-testemunho pretender evangelizar a outros, descuidando
a evangelização dos nossos. Os pais transmitem a fé aos
seus filhos com o testemunho de sua vida cristã e com sua palavra.
O Concílio
Vaticano II propõe o encontro com o Livro Sagrado quando afirma: “Deus
(...) fala aos homens como a amigos (...) para os convidar e os receber em
comunhão com Ele”. “Nos Livros Sagrados, o Pai que está nos
céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos e conversa com eles”.
Essa é a aliança de Deus conosco e com as Famílias. Deus
vem ao nosso encontro para caminhar conosco (Dei Verbum 21).
Nesse tempo
em que a Igreja dedica a atenção e ao estudo dessa Palavra, possam
nossas Famílias rezar como o Salmista “a vossa Palavra é farol
para os meus passos e luz para os meus caminhos” (Sal 119,105).
O Senhor, que ama a vida e entende com a sua Palavra iluminar, guiar e confortar
toda a vida dos crentes em todas as circunstâncias, no trabalho, no tempo
livre, no sofrimento, nos deveres familiares e sociais e em todas as vicissitudes
alegres ou tristes, de modo que todos possam discernir todas as coisas e conservar
o que elas têm de bom (cf. 1Tess 5,21), descobrindo assim a
vontade de Deus, e pondo-a em prática (cf. Mt 7,21).
Pe. Sebastião Márcio
Maciel
Maria em nossa caminhada,
uma luz que ilumina a nossa vida cristã
Um
dia Jesus virá, pela segunda vez, para julgar vivos
e mortos. Ninguém sabe quando será o dia
e nem a hora. Esta incerteza nos convida a estarmos sempre
preparados e vigilantes.
Maria em
nossa caminhada é uma luz que ilumina a nossa vida cristã. Ela
nos ensina a sermos vigilantes, procurando colocar em prática o duplo
mandamento do amor, que é a expressão maior da vontade de Deus,
a síntese, o resumo da Sagrada Escritura. Certo dia um fariseu perguntou
a Jesus: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus respondeu: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e
de todo o teu entendimento”. Isto é, devemos amar a Deus plenamente
e em todos os momentos de nossa vida. E sem que o fariseu perguntasse, ele
acrescentou logo: “O segundo é semelhante a esse: amarás
ao teu próximo como a ti mesmo. Toda lei e os profetas dependem desses
dois mandamentos”.
Maria é uma
luz em nossa caminhada, porque mais do que ninguém soube colocar em
prática o duplo mandamento do amor. Maria é chamada pelo Anjo
Gabriel a “Cheia de Graça”, como se esse fosse o seu verdadeiro
nome. Isto é, alguém cheia de Deus, envolvida pela presença
de Deus. Alguém que amava a Deus profundamente. E porque amava a Deus
em profundidade, amava concretamente ao próximo. Era sensível
e atenta às necessidades do irmão. Podemos comprovar isso, pelo
menos, em quatro momentos de sua vida:
- na visita à Isabel;
- na intervenção nas Bodas de Caná;
- na solidariedade a Jesus , junto à cruz;
- após a Ascensão, quando acompanha os
Apóstolos e discípulos de Jesus, sendo
perseverantes com eles na oração.
Porque
Maria era tão sensível, atenta às
necessidades do próximo? Porque, antes de tudo,
amava a Deus, acima de todas as coisas e em todos os momentos
de sua vida. Assim, o termômetro para constatarmos
se estamos amando ou não a Deus, é a nossa
sensibilidade e atenção às necessidades
do próximo.
Peçamos à Maria
que venha caminhar conosco para nos ensinar a colocar em prática o duplo
mandamento do amor, para que, à sua semelhança, sejamos luz na
caminhada de nossos irmãos e irmãs, para um dia participarmos
das alegrias do céu.
Pe.
Narcizo Pires Franco

Setembro mês da Bíblia
Na
Bíblia encontramos o plano e as intenções
de Deus para conosco.
A Igreja
se nutre da Palavra de Deus revelada na Bíblia e também da Palavra
de Deus que se fez carne e se dá fisicamente a nós na Eucaristia.
A Bíblia
alimenta os fiéis porque é, literalmente, a Palavra de Deus.
Deus é o autor da Sagrada Escritura porque tudo na Bíblia foi
inspirado pelo Espírito Santo.
Deus mesmo inspirou os autores humanos da Bíblia
ao escolher determinadas pessoas para escrever, como verdadeiros
autores, tudo e só aquilo que Ele quis que escrevessem.
Há três
normas básicas para interpretar a Bíblia:
- Prestar atenção ao conteúdo e à unidade
da Bíblia como um todo.
- Ler a Bíblia à luz de toda a tradição
da Igreja.
- Estar atento à analogia da fé, que significa
a coerência das verdades da fé entre si
e no contexto de toda a Revelação.
Santo Agostinho ensina que o Novo
Testamento está escondido
no Antigo, ao passo que o Antigo está desvendado
no Novo. O conhecido Pe. Zezinho, SCJ, com versos singelos
e profundos, como é do seu estilo, canta assim a
Bíblia:
“Santo Livro, louvado seja Deus por seus autores.
Santo Livro, louvado seja Deus por seus leitores.
Santo Livro que me ensina a contemplar.
Santo Livro que me ensina a caminhar.
Santo Livro, quem te lê com amor e com fé,
Santo Livro! Certamente viverá melhor.”
Esta imagem positiva da Bíblia, só o cristão
pode dar.
A Bíblia católica tem 35.568 versículos que
Jesus resume num só: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo o seu coração e
com todo o seu entendimento e ao teu próximo como
a ti mesmo.”
Este ensinamento do Senhor é o centro da espiritualidade
vicentina. Lembro que, em 27 de setembro, a Igreja Católica
celebra a memória de São Vicente de Paulo.
A compaixão de Jesus está na raiz da opção
pelos pobres. Amar os pobres é, antes de tudo, estabelecer
com eles um “nexo afetivo” como o vicentino é convidado
a fazer e viver. É, em seguida, a exemplo de Jesus,
respeitar seu coração machucado e desprezado.
Isto é ser vicentino. Isso implica sempre em mudança
de estilo de vida. Daí nasce também o compromisso
pela justiça e a luta para a vida e a dignidade
dos excluídos. A misericórdia se estende
também a todos os que os sistemas morais e religiosos
condenam e que são tidos como pecadores, proscritos,
perdidos, desgraçados. A lista aqui é longa,
dividida em categorias tradicionais e outras novas: as
prostitutas, as (os) garotas(os) de programa, as mães
solteiras, os recasados, os homossexuais, os envolvidos
no tráfico, as vítimas da Aids, etc.etc.
Simone Weil,
filósofa e mestra espiritual, tem um pensamento lapidar com o qual encerro
esta reflexão:
“Eu reconheço quando alguém é de Deus não
quando me fala de Deus, mas pela sua forma de relacionar-se com o mundo.”
Emanuel
Mignone Cheibub |